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Métricas que importam: o que realmente analisar em um treinamento corporativo no LMS
Pare de olhar apenas para horas assistidas: saiba quais dados de T&D comprovam realmente o ROI e o impacto no negócio.

Vivemos na era do Big Data. Nunca houve tanta informação disponível sobre o comportamento dos colaboradores. No entanto, dentro dos departamentos de RH e T&D, vive-se um paradoxo curioso: estamos afogados em dados, mas sedentos por respostas.
A maioria das plataformas de
LMS
(Learning Management System) gera relatórios automáticos cheios de gráficos coloridos. Eles mostram quantos colaboradores fizeram login, quantos cursos foram concluídos e quantas horas de vídeo foram assistidas.
O gestor de T&D pega esses números, coloca em uma apresentação de slides e apresenta para a diretoria. O CEO olha e pergunta:
"Ótimo, assistiram a 1.000 horas. Mas venderam mais por causa disso? O atendimento melhorou?"
O silêncio que costuma seguir essa pergunta é o sintoma de que a área está focada nas métricas erradas.
Neste artigo, vamos limpar a "sujeira" dos relatórios padrões e focar nas métricas que realmente importam para um treinamento corporativo de alto impacto. Vamos sair da vaidade e entrar na estratégia.
O perigo das métricas de vaidade
Antes de saber o que medir, é preciso saber o que ignorar (ou, pelo menos, não supervalorizar). As métricas de vaidade são aquelas que fazem o gestor se sentir bem, mas não indicam o sucesso real do negócio.
As mais comuns são:
- Número de inscritos: ter gente inscrita não significa que estão aprendendo.
- Horas de treinamento: passar 10 horas na frente da tela pode significar dedicação, ou pode significar que o curso é lento, monótono e ineficiente.
- Taxa de conclusão (completion rate): o colaborador pode ter clicado em "avançar" loucamente apenas para obter o certificado e se livrar da pendência. Conclusão não é competência.
Esses dados são operacionais. Eles medem esforço. Para medir sucesso, precisamos ir mais fundo.
A pirâmide de métricas estratégicas
Para organizar a análise de dados no seu LMS, recomendamos seguir uma adaptação moderna do modelo Kirkpatrick. O seu dashboard deve responder a quatro perguntas fundamentais:
1. Taxa de engajamento real (não apenas logins)
Não basta saber se o aluno fez login. Precisamos saber se ele interagiu.
O que analisar: taxa de rejeição (abandonou o curso nos primeiros 30 segundos?), tempo médio por tela (leu o texto ou apenas escaneou?) e participação social (comentou no fórum, deu like no vídeo do colega?).
Por que importa:
se o engajamento é baixo, o problema é geralmente o formato do conteúdo ou a usabilidade da plataforma, não o aluno.
2. Delta de conhecimento (pré e pós-teste)
Muitas empresas aplicam uma prova final. Se o aluno tira 8, ele passa. Mas isso não prova que o treinamento foi eficaz, talvez o aluno já soubesse aquilo antes.
O que analisar: a diferença (delta) entre a nota de uma avaliação diagnóstica feita antes do curso e a avaliação final.
Por que importa:
se a nota subiu de 4 para 9, o treinamento funcionou. Se foi de 8 para 9, o treinamento foi desnecessário para aquele perfil (perda de tempo e dinheiro).
3. Taxa de aplicação prática (comportamento)
Aqui entramos no terreno difícil, mas valioso. O colaborador aprendeu, mas ele está usando?
O que analisar:
dados de simulações dentro do LMS. Em um curso de vendas, o aluno escolheu a abordagem correta no simulador de negociação? Em um curso de sistemas, a taxa de erros no software real diminuiu após o treino?
Por que importa: é a prova de que a teoria virou prática. Plataformas modernas, como o Moodle configurado pela Kaptiva, permitem criar cenários ramificados que testam a tomada de decisão, gerando dados ricos sobre o comportamento.
4. Correlação com KPIs de negócio
O Santo Graal das métricas. Aqui cruzamos os dados do LMS com os dados do mundo real (ERP, CRM).
O que analisar:
- Treinamento de vendas vs. Ticket médio da equipe: compare a performance de quem fez o curso versus quem não fez.
- Treinamento de segurança vs. Número de acidentes: a curva de incidentes caiu após a campanha no LMS?
- Onboarding vs. Turnover nos primeiros 90 dias: um onboarding bem avaliado retém mais talentos?
Por que importa: essa é a linguagem da diretoria. É aqui que o T&D prova seu ROI (Return on Investment).
Como preparar seu LMS para capturar esses dados
Você não conseguirá medir nada disso se a sua plataforma de ensino não estiver configurada para capturar esses dados.
Um erro comum é usar o padrão de fábrica do LMS. Ferramentas como o Moodle são extremamente poderosas em analytics, mas precisam ser customizadas.
1. Use SCORM ou xAPI: esses padrões técnicos (que citamos na matéria anterior) são os "espiões" que reportam cada clique do aluno para o banco de dados.
2. Configure relatórios personalizados:
não use o relatório padrão. Peça para sua consultoria criar dashboards que cruzem as variáveis que citamos acima.
3. Integre sistemas: para medir impacto de negócio, o LMS precisa "ler" dados de fora ou permitir a importação fácil de planilhas de performance para cruzar as informações.
A cultura data-driven no RH
Mudar as métricas exige mudar a cultura. O analista de T&D precisa deixar de ser um "organizador de cursos" para se tornar um "analista de performance".
Isso pode assustar no início. Descobrir que um curso caro teve impacto zero nas vendas é duro, mas é libertador. Os dados não servem para punir, mas para ajustar a rota. Se o dado mostra que o vídeo de uma hora não funciona, mude para microlearning de cinco minutos. Se o dado mostra que a prova está muito fácil, aumente o rigor.
Conclusão: os números contam uma história
Em última análise, as métricas servem para contar a história do desenvolvimento da sua empresa. Que história o seu relatório atual conta? A de um departamento burocrático que cumpre tabela ou a de um parceiro estratégico que impulsiona o crescimento?
A Kaptiva é especialista em Learning Analytics. Nós implementamos o LMS e configuramos a inteligência de dados por trás dele, para que você tenha as respostas certas na ponta da língua quando a diretoria perguntar.
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